28/09/2015

Pezinhos


com os pezinhos lavados
os seios soltos
e uma calcinha branca cheia de pontinhos vermelhos
repousa sobre a cama
com seus 13 aninhos
a menina coberta pelo cobertor das Meninas Super Poderosas

na mente
sonhos eróticos
com um garoto
metamorfoseado em palavras
uma canção de ninar

o sono invade a menina
tomando sua pureza
que se misturava com os anseios da juventude
com as palavras gélidas do amado
deitado
parindo a lua por entre as pernas peludas

nada mais adiantava
a música na estrada ilustrava sua vontade confusa
escondida atrás do sutiã amarelo apertado

de noite
quando ninguém mais via
tirava a blusa com cuidado e libertava o corpo
sentindo o calor do próprio sangue
escorrendo por entre os seios

pelada
largada na cama
tomava coragem e sujava todos os absorventes com palavras
não mais sangue
B positivo

positivo era o vazio cheio de beijos não correspondidos

20/09/2015

Argentina.


Manhã azulada por sua blusa
Argentina! ela gritava.
O poste de luz que piscava
Decidiu guardar para si a memória
Do abraço perdido no meio da noite fria
Decidiu engolir a pizza esquecida na mesa da cozinha
Decidiu se olhar no espelho do elevador para ver seus olhos gritarem:
- Argentina! DE NOVO NÃO!

Quando o passaporte amassado parecia ter se cansado
Mais uma viagem foi marcada
No nome de uma desconhecida
No nome de uma tal de Maria
- Olá, Maria. O que deseja?
Ela não desejava nada
Na verdade desejava ficar sentada com um sorriso de orelha a orelha
Pulava pela sala e encenava igual uma pobre coitada
Maria não era mais mãe de Jesus

Os pés já estavam cansados
Surrados pelos amores não mais duradores
Perturbadores
E quando a última gota da bebida amarga desceu por sua garganta fechada
Ela não acordou
Nem se endireitou
Deitou no chão
Mais uma vez

Ela nunca deveria ter abandonado Argentina

13/09/2015

Ribeirão Preto.


Eu não tenho uma foto daquela casa
Não tenho falta daquela casa
Só tenho o cheiro daquela mancha
Que ficava na entrada da casa

Eu comi uma amora
Eu virei Branca de Neve
Eu vi a vizinha chorar
Eu entrei na piscina
E deixei meu corpo gritar

Preenchi a alma da casa
Comprei flores vermelhas
Vi mamãe fingir um sorriso
Ouvi a buzina da vã escolar

Esqueci de colocar o cinto
Cai em um abismo
E quando cheguei em casa
Chorei com um suspiro

Não queria aceitar
Que um dia papai
Iria se revelar
E com a ameaça do soco
Eu iria acordar

Acordei por mamãe
Acordei por caca
Acordei por mim
E pela casa

Deixei meu corpo tremer
Deixei meu corpo derreter
Ao perceber que a verdade
Sempre fora uma bela princesa
De mascara

Quando acordei
Sonhei
E tentei dizer que eu
Ainda amava
O belo
E nunca esquecido
Ribeirão

Preto

11/09/2015

Água de coco nas nuvens azuladas.


O frio sobe por minhas pernas
encontra abrigo por entre minhas entranhas
e se aproveita da água de coco que insisto em tomar,
apesar de odiar.

Meus olhos pesados.
Meus olhos cansados.
Meus olhos apaixonados,
por você
e por mais ninguém.

Encontro no meu soluço,
desencantado,
as palavras certas
para dizer para meu
amado.

O sol brilha ao meu lado.
Minha lua cantarola uma música baixa,
e eu me deito na terra molhada
esperando por uma rajada
que me leve para tua morada.

09/09/2015

Girassóis perdidos.


Com uma faca de cozinha
já presa na manteiga
cortei minha mente
em quatro pedaços.

Sem força
perdi o braço
e um papel amassado
surgiu no meu terraço.
A chuva entrou nas palavras
A tinta preta escorreu no ralo
A tartaruga se escondeu
com medo do raio.

Sem antes de acordar
cavei um buraco
na terra molhada,
e o girassol
que antes vivia
agora caia
no chão
perdendo seu amarelo
cor de sabão.

As nuvens
me olhavam
e provavelmente
julgavam.
Sabiam agora que eu,
era na verdade,
uma assassina
de girassóis perdidos
e desinibidos.

08/09/2015

Estarei no Japão antes do Sol virar carvão.


As gotas d’água da chuva
queimaram minha pele.
Me deixaram sangrenta,
morta,
e fria
na praça da esquina.

O doce que comia
se engasgou
com as palavras
que eu lutava
em dizer
para as nuvens
que teimavam
em se mover.

Corri na ponta dos pés.
Cai no bueiro sujo.
Virei apenas uma viagem
pela sujeira das passagens
de avião.
Pelos ratos passei
e lá fiquei.
Ofegante
e desgastante era
a vida
que fora
e não era mais
minha.

Com os cabelos molhados
os pés encharcados
deitei-me.
O barulho das buzinas
O mal cheiro do seu cigarro
O vomito da criança
Agora,
não me atormentavam.

Meus ouvidos se encheram
com a água
podre e mijada
negada pela sociedade
mente fechada.
Fechei os olhos
deixei meu corpo ser levado
e assim acreditei que chegaria
no Japão

antes do Sol virar carvão.

07/09/2015

Aranha louca.


Quero tirar desse meu peito imundo e cheio de culpa os sentimentos nessa quinta-feira fria. Tiro esse meu sentimento ridículo, tiro essa minha expectativa surreal, tiro meu amor por você. Sou apaixonada pelo meu próprio ódio, então só deixe que eu te ame. Sou ridícula por amor. Sou ridícula por essa aranha que sobe no meu corpo e toca no meu mamilo arrepiado. Sou a aranha que mata seu amado, e que se enraivece. Sou a aranha que te ama.

Me perco. Sou perdida. Eu perdi minha própria morada. Moro debaixo dos seios de minha mãe, que agora já não me dão a vida. Moro dentro do meu útero infantil. Moro dentro de mim. Tenho os cabelos soltos, as unhas quebradiças e teu sorriso tatuado nos meus perfumes. Sou apenas a louca apaixonada. Sou apenas uma aranha. Ando pela casa, deixo recados, te mordo na madrugada, te amo no amanhecer. Sou a verdade escondida nas patas de uma pobre e desprezada aranha.

Com os olhos pretos me nego a deixar o Sol entrar. Me encontro dentro do seu lar, e dentro do seu lar encontro o amor roubado. São dos amores roubados que vivo. Vivo de tudo aquilo que é roubado. Roubo os insetos, roubo as vidas, roubo tuas mães, roubo tuas putas. Sou apaixonada pelas putas, encantada pelos príncipes. Louca e arranha. Aranha louca.

- Maria Aranha,

06/09/2015

Sem nome. Seu nome.


Nu
Insensível
Cortejando
Olhares
Lunares
Amorosos
Subjetivos

Esperando
Luizas
Irrelevantes
Salpicadas de
Amor

Gastava
Aventuras
Burras
Rindo.
Itália,
ela se fora.
Levando consigo
A arte do amar

Tava longe
Amor.
Risonha
Saltitante
Irrelevante
Luiza,
Ah, já se fora

E agora
Duvidava.
Um urso
Amarrava seu mundo
Rabugento
Doía
Olhar para frente
Olhar para o mar