07/09/2015

Aranha louca.


Quero tirar desse meu peito imundo e cheio de culpa os sentimentos nessa quinta-feira fria. Tiro esse meu sentimento ridículo, tiro essa minha expectativa surreal, tiro meu amor por você. Sou apaixonada pelo meu próprio ódio, então só deixe que eu te ame. Sou ridícula por amor. Sou ridícula por essa aranha que sobe no meu corpo e toca no meu mamilo arrepiado. Sou a aranha que mata seu amado, e que se enraivece. Sou a aranha que te ama.

Me perco. Sou perdida. Eu perdi minha própria morada. Moro debaixo dos seios de minha mãe, que agora já não me dão a vida. Moro dentro do meu útero infantil. Moro dentro de mim. Tenho os cabelos soltos, as unhas quebradiças e teu sorriso tatuado nos meus perfumes. Sou apenas a louca apaixonada. Sou apenas uma aranha. Ando pela casa, deixo recados, te mordo na madrugada, te amo no amanhecer. Sou a verdade escondida nas patas de uma pobre e desprezada aranha.

Com os olhos pretos me nego a deixar o Sol entrar. Me encontro dentro do seu lar, e dentro do seu lar encontro o amor roubado. São dos amores roubados que vivo. Vivo de tudo aquilo que é roubado. Roubo os insetos, roubo as vidas, roubo tuas mães, roubo tuas putas. Sou apaixonada pelas putas, encantada pelos príncipes. Louca e arranha. Aranha louca.

- Maria Aranha,

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