20/09/2015

Argentina.


Manhã azulada por sua blusa
Argentina! ela gritava.
O poste de luz que piscava
Decidiu guardar para si a memória
Do abraço perdido no meio da noite fria
Decidiu engolir a pizza esquecida na mesa da cozinha
Decidiu se olhar no espelho do elevador para ver seus olhos gritarem:
- Argentina! DE NOVO NÃO!

Quando o passaporte amassado parecia ter se cansado
Mais uma viagem foi marcada
No nome de uma desconhecida
No nome de uma tal de Maria
- Olá, Maria. O que deseja?
Ela não desejava nada
Na verdade desejava ficar sentada com um sorriso de orelha a orelha
Pulava pela sala e encenava igual uma pobre coitada
Maria não era mais mãe de Jesus

Os pés já estavam cansados
Surrados pelos amores não mais duradores
Perturbadores
E quando a última gota da bebida amarga desceu por sua garganta fechada
Ela não acordou
Nem se endireitou
Deitou no chão
Mais uma vez

Ela nunca deveria ter abandonado Argentina

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