08/09/2015

Estarei no Japão antes do Sol virar carvão.


As gotas d’água da chuva
queimaram minha pele.
Me deixaram sangrenta,
morta,
e fria
na praça da esquina.

O doce que comia
se engasgou
com as palavras
que eu lutava
em dizer
para as nuvens
que teimavam
em se mover.

Corri na ponta dos pés.
Cai no bueiro sujo.
Virei apenas uma viagem
pela sujeira das passagens
de avião.
Pelos ratos passei
e lá fiquei.
Ofegante
e desgastante era
a vida
que fora
e não era mais
minha.

Com os cabelos molhados
os pés encharcados
deitei-me.
O barulho das buzinas
O mal cheiro do seu cigarro
O vomito da criança
Agora,
não me atormentavam.

Meus ouvidos se encheram
com a água
podre e mijada
negada pela sociedade
mente fechada.
Fechei os olhos
deixei meu corpo ser levado
e assim acreditei que chegaria
no Japão

antes do Sol virar carvão.

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