13/09/2015

Ribeirão Preto.


Eu não tenho uma foto daquela casa
Não tenho falta daquela casa
Só tenho o cheiro daquela mancha
Que ficava na entrada da casa

Eu comi uma amora
Eu virei Branca de Neve
Eu vi a vizinha chorar
Eu entrei na piscina
E deixei meu corpo gritar

Preenchi a alma da casa
Comprei flores vermelhas
Vi mamãe fingir um sorriso
Ouvi a buzina da vã escolar

Esqueci de colocar o cinto
Cai em um abismo
E quando cheguei em casa
Chorei com um suspiro

Não queria aceitar
Que um dia papai
Iria se revelar
E com a ameaça do soco
Eu iria acordar

Acordei por mamãe
Acordei por caca
Acordei por mim
E pela casa

Deixei meu corpo tremer
Deixei meu corpo derreter
Ao perceber que a verdade
Sempre fora uma bela princesa
De mascara

Quando acordei
Sonhei
E tentei dizer que eu
Ainda amava
O belo
E nunca esquecido
Ribeirão

Preto

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