31/10/2015

Café de ontem.


Você se esqueceu de tirar o café de ontem da garrafa. A meditação não serve para almas sem café. Nunca respirou tão alto. Os segundos e minutos passam. São cinco. Cinco minutos. Você aprendeu a viver só cinco minutos. As palavras tornam-se afobadas e as mensagens, cujo destinatário é desconhecido, são repetitivas. Mas agora, acorde. O Sol está nascendo no horizonte e o chá aguado aguarda. A garrafa quebrada em vários pedaços rompeu os ligamentos dos pés cansados e doloridos. E as unhas dos dedos mindinhos foram roídas por vermes que se fascinam com o caminhar mirabolante dos seres humanos. E nesse instante uma nuvem repousa sobre seus olhos. É difícil de enxergar a pomba, não te culpo pela morte do animal porque talvez eu seja ela: a pomba esmagada pelo seu tênis sujo de coco de cachorro.

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