02/11/2015

Tá difícil de entender.

Tá difícil de entender
Que quando o Sol nasce
E as espumas dos horizontes caem sobre o teu corpo
Deitado na lama
Escura
Preta
Cheia pedregulhos
É tudo questão de tempo
De percepção
De entender que nada é assim
Tudo não passa de um clarão
Um clarão que tomou a alma
Que tomou eu
Que me tomou
O português não ajuda
Muito menos o inglês, o francês, o espanhol, o alemão
Eu não sei idioma algum
Eu só sei o idioma da tua voz
Eu perdi as palavras
Eu perdi você
Eu me perdi
E agora nada mais adianta
O espelho
O reflexo
A voz
Você
As mensagens
De noite as lembranças
De manhã nada
vazio
Estar solitária
No caminhar
Num pisar dolorido
No joelho quebrado
Torto
Acabado
Cheio de problemas
E
Problemas
E sonos
E olheiras
E vontade de dormir
E dormir a tarde inteira
Agora
Nada mais adianta
Nada nunca adiantou
Só eu
Aqui
Sentada
Na cama
Parada
Gravando
Falando
Para as paredes
Que todo esse tempo
Tua presença era necessária
Agora já não é mais
Porque eu
já não existo mais

6 comentários:

  1. Gostei bastante, poema é algo tão delicado.
    xoxo || mutant-paradise.blogspot.com

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  2. Gostei do jeito meio beatnick da tua escrita.
    Ótimo poema, as fragmentações ilustram bem a dor de um coração partido.
    beijos.

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    1. Muito obrigada Lu <3 Fico feliz que tenha gostado

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