03/12/2015

Repetição.

Eu to cansada de digitar essas palavras que são sempre iguais
Porque depois de um tempo isso se torna tão constante
Que os sentimentos são os mesmos
E a gente passa a se cansar mais rápido
E o som do sabiá nem mesmo alivia a dor do coração apertado que sangra tanto
O sangue torna-se A, B, C
E de repente até a letra F tá lá
Embutida nas suas correntes sanguíneas
Bombeando
E
Bombeando
Indo para cada canto do seu corpo
O cérebro se confunde e faz do C o teu F
O teu G
O teu N
O teu H
Todas as letras do alfabeto estão lá embutidas
Em cada um de seus neurônios
Em cada um dos seus pensamentos
Eu me pergunto se algum dia isso vai parar
Se esse verde que preenche cada uma das minhas manhãs vai parar de existir
Se eu finalmente vou poder ir para casa
Para deitar na minha cama
Para sentir o teu cheiro
Para ficar lá sentada
Chorando
E chorando
E gritando
E falando
E dizendo alto
Baixinho
Sussurrando de baixo do cobertor
Que eu to com saudade
Que eu to querendo falar com você
Mas a vergonha é tamanha
Que eu não consigo dizer nada
Só pergunto como você está
O que anda fazendo
E as respostas são sempre as mesmas
Eu to bem
Ah, eu não to fazendo nada demais
E é sempre
É sempre assim que as nossas conversas são
Cheias de paradas
E respirações não desejadas
E choros internos
E as risadas na mesa da cozinha são sempre indesejadas
E eu saio de fininho
Andando devagar
Para que ninguém ouça os meus paços
E me siga
Porque eu quero sentar no chão
Junto aos besouro e bichos
E coisas estranhas
E chorar junto a eles
Sempre
Sempre assim
É sempre sobre lágrimas
Sobre despedidas
Sobre amores não correspondidos
São sempre duas horas da manhã
Quando bate a inspiração e eu consigo vomitar para fora tudo isso que tá guardado
Dentro de mim
Mas a gravação é ainda pior
Porque a minha voz tá mostrando tudo o que eu to sentido
E quando eu ouvir isso de novo
Eu não vou querer passar para o computador
Porque vai ser trabalhoso demais
Eu só vou querer ficar sentada na cama
Ouvindo
De novo
E de novo
E de novo
E é sempre assim
É tudo repetido
Sempre várias vezes
Para ver se passa
Para se acostumar com a dor
Mas tá tudo errado
Porque a dor não passa
Ela torna-se parte
Um pedaço do meu coração tornou-se preto
Hoje
Ontem
Desde o dia que eu te conheci
E vem sendo sempre assim
Preto
Escuro
Ele solta pus
E odores ruins
E eu não sei mais o que fazer com ele
Eu tentei tirar
Tentei
Eu tentei cortar
Tentei
Eu tentei de tudo mas não resolveu
Porque essa parte preta ganhou o teu nome

E eu nem sei mais o que fazer

4 comentários:

  1. Vou ser sincera Gabi, quando vi o tamanho do texto pensei que ia me cansar e não ia ler tudo, hehehe. Mas fui lendo e fluiu bem, no final eu gostei e até me identifiquei com algumas partes. Tipo essa: Quando bate a inspiração e eu consigo vomitar para fora tudo isso que tá guardado Dentro de mim. Você escreve muito bem ^^

    imaginaivy.blogspot.com

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    Respostas
    1. Hehehe sei como é. Esse poema foi inicialmente gravado, por isso ficou desse tamanho hahaha. Obrigada pelo carinho, fico muito feliz com os seus comentários.

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  2. Tinha muito tempo que não passava aqui, dei uma olhada nos outros post e adorei as coisas que anda escrevendo <3 Vou voltar por aqui sempre!

    Peixinhos de Luz ;*

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