04/01/2016

Entre a cama e a parede.

A dor que arrebata teu corpo te deixa bamba e o buraco entre a cama e a parede é um abismo. Se joga lá e encontra os fios de cabelo que foram arrancados, os pedaços de unhas que foram roídas e gotas de sangue que pingaram dos dedos sem cutícula alguma, já que foram mordidas arrancadas engolidas. Cuspia na cabeceira da cama achando que ninguém descobriria, mas não foi que várias manchas surgiram? E mesmo esfregando com bucha e sabão não saíram. As manchas continuam lá. E o quarto está dentro de cada mancha. Cada mancha de lágrima no colchão.

6 comentários:

  1. Parágrafo muito poético. Tanto que senti uma aflição enorme e um suspeito frio na barriga. Calafrios, talvez? Beijos, Leve como a brisa

    ResponderExcluir
  2. As manchas sempre continuam lá. Não se pode fazer nada quanto a elas, infelizmente... Não há tempo que as apaga, nem sabão que as extermine.

    Lindo parágrafo!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Esse seu comentário já poderia ser uma poesia!
      Você tem toda razão, essas manchas continuaram sempre por lá.

      Excluir
  3. Breve, mas com uma carga de sentimentos angustiantes. Tão preciso que causou certo desconforto nas pontas dos dedos, como se fosse eu a roer minhas próprias unhas. As manchas são eternas, mas podemos escolher fortificá-las ou transformá-las em textos como esse.

    Gostei muito do texto e do blog, seguindo.
    Bjs, Gabriela.

    coracaoaflordapele.blogspot.com
    semprovas.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muitíssimo obrigada pelo seu comentário <3
      Seja bem vinda! ^-^

      Excluir