22/04/2016

Sem título.

já é de noite
e só é possível escutar a respiração
daqueles que adormecem
quando
o silêncio é
absoluto
mas as mentes não param de trabalhar
e a quietude é uma virtude
que
só quem vive com as camadas mais superficiais
da pele
consegue ter

12/04/2016

11/04/2016

Mentir arde.

eu tava prestes a te enviar uma mensagem
quando um clarão passou pela minha mente
ardeu

mentir arde mais
dizer que estou bem sem o seu toque,
arde
(mais que as feridas nos dedos causadas pelo alicate afiado)

acrescentar olhares que só dizem coisas ruins
é só uma forma de antecipar
o arder

e eu nem sei mais se arde porque é
verbo ou
substantivo

e eu nem sei mais
como é ver seu nome seguido de:

enviou uma mensagem

Cacos pequeninos.

tentei te negar poemas
mas uma
célula
uma única célula
ainda insiste em você
e em todo desconforto que
trouxe
como bagagem extra


meus poemas são
singelas tentativas de
colocar no rosto
um sorriso mais
meu
não seu

dividiram minha história:
antes de te conhecer
depois de te conhecer
retirar os cacos que
existem
dentro do meu ser
é o mais difícil porque
não existe
pinça
alguma
capaz de tirar os cacos
pequeninos
sem beliscar a pele

10/04/2016

Geometria que divide seres humanos.

seu olhar encontra-se
perdido
e peço desculpas
(na verdade não)
pelo meu jeito de dizer
certas verdades
escondidas em
poesia

e você sabe que
insisto em entender
as imagens que
seus poemas
concedem
um tapinha nas costas
para quebrar a barreira
entre nós do
is

eu a construí com
minhas próprias
mãos
braços
sangue

e Deus abençoou nossa
divisão
em retas paralelas que
nunca se encontram
(muito menos se esbarram)