04/05/2016

sem título

o mundo todo se acostumou com o cinza. o mundo todo se acostumou com as coisas que com o passar do tempo perdem a cor. o cabelo, as unhas pintadas com esmalte, as canetas que. secam. até a água seca, ela tá escassa e você já deve saber disso porque é o assunto do momento. reclamam da presidente, de como anda chovendo pouco, do verão que se foi, dos Homens que só causam decepções, da cor dos muros, das coisas que nos separam, mas eu nunca vi ninguém tentar pular ou pelo menos se prender no buraco que, é claro, existe no meio desse muro. sempre existem brechas e aprendi isso porque minha mãe me ensinou. entre o armário do quarto e a parede existia uma brecha. e eu me escondi lá. e assim não via: pessoas; o lixo na rua; os cachorros que me deixam com tanto medo; o sorvete escorrendo no canto da casquinha de sorvete que as crianças sempre estão devorando; senhoras nas praças lendo um livro; homens bem arrumados dentro do metrô. eu neguei toda realidade que já foi afirmada e reafirmada por filósofos, sociólogos, estudiosos do mundo. a faculdade da vida é a rua. eu li isso na porta do armário, mas mesmo assim, não saí de lá. casulos são mais aconchegantes. as borboletas são as únicas capazes de provar.

4 comentários:

  1. As vezes a realidade se torna mais surreal do que as próprias ilusões. São belas palavras aqui, mas um triste sentimento.

    Passe bem :D
    xoxo

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