25/06/2016

Pés.


Acordei e quando me dei conta percebi que meus pés tinham sumido. Olhei em baixo da cama, nada. Olhei em cima do criado mudo, nada. Vasculhei o quarto inteiro e nada dos benditos pés. Por fim, quando estava um pouco cansada e já tinha assumido parcialmente minha derrota, fui em direção ao armário. A porta estava emperrada e insistia em não abri. Puxei com mais força e ela se abriu. Lá estavam eles. Amarrados em cordas como prisioneiros. Eu havia me esquecido que os tinha prendido na noite passada porque minha mente te nega, mas meus pés só conhecem o caminho que me leva até você.

3 comentários:

  1. Gabriela maravilhosa, como sempre...

    Meus pés até que são tranquilos; tenho que descobrir é como prender minha mente, também às noites, no armário, que seja.

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    1. Maravilhosa é você! Pois é, até desisti da mente. Ela se nega a ficar presa.

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  2. Pés caminhantes e cérebro pensante,são sempre um conflito eterno o bom de haver o esquecimento, é que se aproveita o momento dos dois e pode-se aproveitar o intervalo, como uma viagem num buraco negro.
    Bom fim de semana.

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