13/06/2016

Sem título.

Meu corpo todo treme. Cadê teu abraço quentinho para aquecer minhas células mortas? Cadê teu abraço quentinho para aquecer o lado direito da minha face? O lado esquerdo apanhou de tanto que te amou. Cadê teu abraço quentinho para aquecer o meu sorriso? Ele perdeu o caminho quando encontrou no meio da avenida um corpo morto parecido com o teu. O trauma é eterno. Ninguém diz, mas eu sou a prova viva de que ele dura. E dura tempo suficiente para te fazer arrancar as lascas de madeira do armário com mais de dez anos. Dura tempo suficiente para fazer das tuas próprias mãos pás que cavam o peito, e no final arrancam o coração sem muito cuidado sem muito carinho. Não tem nada de precioso nessa merda que só bombeia sangue e leva, para cada parte do corpo em decomposição, uma lágrima engolida com catarro que escorre pelo nariz. Não tem nada de precioso nesse pedaço de carne, que se eu pudesse, serviria no jantar porque os impostos andam acima da minha própria capacidade de te esquecer.

3 comentários:

  1. Tu é uma fascinação que ri ...
    boa semana.

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  2. Gostei da profundidade do texto e da visão mais 'escura' do coração.
    http://www.domvisconde.wordpress.com/

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