23/07/2016

Sem título.

suas mãos eram sujas de dor
dor profunda
dor que eu nunca tinha visto na minha vida inteira
dor que se expande quando em contato com a água das lágrimas

21/07/2016

Despedida.


sinto raiva
porque meus versos eles foram se
perdendo
no meio do caminho
e agora não me encontram
porque não existem placas
direções
sentidos corretos
dentro do meu ser

as artérias carregam
as palavras
para cada parte do meu corpo
mas elas estão tão bem escondidas
e quase diluídas no sangue
que não chegam
até meus dedos
                     [ou chegam e eu não percebo]

a tinta da caneta tá esperando

repousada em cima da folha em branco
ela quase grita de raiva

pepousada em cima da folha em branco
ela quase adormece
mas eu não posso

de noite a alma já perdeu tudo aquilo que a prende
e escrevo até os dedos sangrarem
até fazer com que cada letra do seu
nome
se torne mais uma poesia
fadada ao fracasso
porque eu já nem sei falar
eu já nem sei como abrir minha boca

as atitudes mecânicas vão aos poucos
perdendo a vontade de existirem
e cada passo parece carregar um
motivo
por trás
um impulso interno
uma faísca
e meu corpo, ele queima

a mente arde
chega estar travada por causa do peso das
memórias
e não tem nada que faça essa bagagem sumir

quando é que você vai ir embora?
me fala
me fala agora
eu preciso saber
todo o meu corpo precisa
treinar
a sua partida
todo o meu corpo precisa
aprender a lidar
com a sua falta

e minha mãe já me disse
e Deus já me pediu mais de dez vezes
e meu reflexo no espelho já se mostra cansado
mas os meus ouvidos
eles se fazem de desentendidos e
acreditam
eles possuem uma fé
I N A B A L Á V E L
mas eu não

e as mãos juntas
unidas
quase grudadas
numa reza sem fim
parecem envelhecer a cada Ave Maria
a cada amém
a cada contato mais intimo que tenho com minha
alma

nenhum livro sagrado vai me convencer
de que quando você for
meu silêncio vai ser mais feliz
minha alma mais liberta
meu sorriso mais verdadeiro

e é por isso que cansei
de pedir
de esperar
de rezar
por um final que já tá escrito
lá no céu

as três marias nunca vão deixar de brilhar
mesmo quando o céu insistir em ser mais escuro que a minha saudade antecipada

09/07/2016

Formigas.

I
dizem que os
psicopatas
matam primeiro
um animal
mas eu
que sempre
matei
formigas
nunca fui condenada

talvez seja
porque elas são
miúdas
como meninas
recém-nascidas
que morrem no
decorrer da
vida
sem ninguém escutar um
grito

II
- é mais fácil matar quem se mantém calado.
disse uma formiga para a outra e saiu
gritando

- mas quem quiser, finge que não escutou.
respondeu a outra e ficou lá
esperando a morte chegar

04/07/2016

Sem título.

a Lua parece
perdida
no meio das estrelas
e eu
que estou indo e
voltando
no balanço
tento alcança-lá
mas meus braços
(esses malditos braços)
são curtos demais
e não alcançam nem as
estrelas miúdas
que aos poucos
        uma a
                  uma
deixam de brilhar

e a Lua fica sozinha
no céu que foi engolido pela
escuridão
e eu fico sozinha
no planeta engolido pela
solidão